terça-feira, 18 de setembro de 2007

O guardador de carro

Mauro era uma agradável e simpática pessoa que, sempre muito educado, fizesse sol ou chuva, tomava conta dos carros das pessoas que participavam da missa.

E por falar em chuva, quando esta dava seu ar da graça, lá vinha ele com um enorme guarda-sol a nos proteger.

Sabíamos que fazia por dinheiro, afinal esta era a maneira que possuía para arrumar algum dinheiro para manter a família, mas independente de sua situação social e financeira, sempre nos recebia bem, o que nos deixava a vontade de tratá-lo da mesma maneira. Diferentemente dos demais que nos recebiam pronunciando gírias, nem sempre de fácil compreensão, ou de maneira grosseira.

Era tão competente em sua atividade que alguns casos são pitorescos. Entre eles a vez que abordou uma senhora que entrava em um carro, perguntando se o carro era dela. Ele distraidamente havia confundido meu carro com o dela, levando-o a imaginar que a senhora estaria roubando o meu. Ou ainda quando ao oferecer seus serviços a uma distinta senhora, proprietária de um belo carro importado, obteve como resposta que não seria necessário, pois o veículo era segurado. Ele, dentro de sua simplicidade calou-se, mas ficou pelos arredores do veículo. Mais tarde, quando a dona do veículo retornou foi logo dizendo: Senhora, sei que seu carro tem seguro, mas deixar os vidros abertos é facilitar demais para os ladrões. E a senhora, perplexa com o que fizera acabou por dar-lhe alguns trocados.

E assim vive Mauro distribuindo sorrisos e gentilezas por uns trocados.

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