sexta-feira, 15 de agosto de 2014

"A noite fria só me traz melancolia"

Depois de alguns anos retomo o Levados pelo vento.

 Hoje entendo a musica cuja letra diz "a noite fria só me traz melancolia".

Caminho em meio à garoa fina que esfria ainda mais o  manto da lua que me envolve. Os pensamentos me levam a lugar algum, mesmo os passos solitários tendo um destino.  A melancolia traz a saudade dos finais das tarde de primaveras passadas, quando os pássaros cantavam não somente ao meu redor, mas dentro de mim, levados pelo amor nascido na primavera.

Mas a vida não para e o tempo passa. 

Vieram verões, outonos e invernos e a cada estação fria a lenha era consumida em busca de calor. E assim como a cigarra, os pássaros não se preocuparam em manter a chama da primavera. E com a chegada do inverno o ultimo graveto queimou e o vento frio chegou.

Os pássaros que ainda podiam voar lançaram-se ao desconhecido e partiram. Os que ficaram prenderam suas asas os redor do corpo para se aquecer nunca mais voaram e se calaram. O ensurdecedor barulho do silêncio se fez presente.

O tempo passa e a vida não para. 

Os passos são interrompidos ao chegar a meu destino. Os pensamentos não. Eles seguem em frente percorrendo as estradas do passado, sentindo as pedras das trilhas percorridas no presente e tentando desenhar um traçado que no futuro possa ouvir os pássaros não somente ao redor.

A vida não para e o tempo passado não volta.

O invisível entregador de jornais

Entre as apressadas pessoas, que atravessam uma das movimentadas esquinas da rua Verbo Divino, em São Paulo, uma se destaca, sendo procurada por todos que frequentemente por ali trafegam ou transitam.

Esta pessoa corre por entre os carros parados pelo sinal fechado entregando jornais de distribuição gratuita. Sempre muito educada e sorridente, nem sempre recebe o mesmo tratamento que oferece.

São muitos os transeuntes e motoristas que recebem de suas mãos o jornal sem ao menos olhar em seu rosto, ou mesmo mencionar uma simples, mas importante, palavra de agradecimento. Descobrir entre as pessoas, ao menos uma, que soubessem seu nome seria como procurar uma agulha no palheiro, mas este anônimo entregador não parece importar-se com isso, continuando a fazer parte da rotina das pessoas, mesmo que estas não percebam a sua presença.

Ao invisível entregador de jornais um muito obrigado.

PS: Este texto foi escrito entre 2008 e 2009 e estava perdido entre rascunho não publicados.

Tempo? Quanto tempo?

Assim como os pensamentos são levados pelo vento, o próprio tempo também é.
Hoje, talvez motivado pela linda manhã de sol, resolvi acessar o blog e verificar a quantas anda.
Tomei um susto ao verificar que a última postagem é datada de 25/07/2009, ou seja, a mais de 2 anos que não publico nada.
Tanto tempo se passou que acho que os dias não foram levados pelo vento, mas sim por um vendaval.
Esse fato me faz tentar percorrer mentalmente esse espaço de tempo e tentar resgatar o que vivenciei nesses 2 anos.

Se pararmos um pouco e pensarmos no assunto veremos que o tempo está passando tão rápido que não percebemos.

Ops! Pare mais um pouco!

Será que alguém inventou um acelerador de tempo? Ou será que estamos tão agitados que não percebemos o passar das horas, dos dias, das semanas, etc.

Se pensarmos um pouco podemos lembrar de alguns fatos ocorridos nesse tempo.
Os mais caseiros dirão que passaram o tempo com a família e trabalhando, outros que foram a muitas baladas e muitos não saberão dizer.

Mas independente do que conseguir ser lembrado, temos uma outra questão.

Quanto desse tempo eu gastei somente comigo?

Será que o tempo foi acelerado ou nós que estamos tão agitados que não temos tempo para nós?

Sei que algumas vezes tentei escrever algumas coisas, mas logo desisti porque a crítica pessoal é muito forte. Encontrei alguns textos não acabados na caixa de rascunho.

Sei que passei esse tempo com minha família, amigos e trabalhando.

Mas o que teria feito para mim nesse período?
Quanto tempo nesses quase 800 dias foram reservados para mim?

Não sei. Me perdi no tempo.
Novamente retomei este texto que estava a não sei quanto tempo na caixa de rascunho.
E hoje, diferente no início deste post, o dia amanheceu gelado e triste.




sábado, 25 de julho de 2009

Ordenação do Pe. Felipe e Pe. Lucas - junho/2009

Enfim a tão esperada ordenação ocorreu!

Desde o primeiro “SIM” muito tempo se passou. Foram muitos anos de estudo, noites mal dormidas, debruçados sobre os livros, e quando chegava o final de semana as forças eram renovadas sob o sol que os bronzeava, com os mergulhos no mar e com o futebol com os amigos.

Grande engano! Bem que vocês gostariam de que assim fosse, mas os finais de semana eram dedicados aos estágios pastorais, ao aprender fazendo e observando.

A cada noite e a cada dia vocês diziam “SIM” ao chamado do Senhor. Talvez algumas vezes tenham sido tentados a dizer “Não”, mas se calaram por não serem capazes de pronunciarem frases que não provinham de seus corações.

Vocês perseveraram e aqui chegaram, ainda que muitos entre nós queiram saber o que leva um jovem a abandonar uma vida para se tornar padre, mas quem disse que vocês abandonaram a vida. Vocês optaram por serem sacerdotes assim como qualquer um de nós opta por uma profissão. O futebol, as conversas animadas com os amigos, as pipocas no cinema e as peças de teatro ainda farão parte de suas vidas, assim como fazem parte da nossa.

Vocês não deixaram de viver, mas passaram a viver na construção de nosso caminho em direção a Deus. E por tanto esforço e dedicação, nós aplaudimos o “Sim” que vocês deram e rogamos ao Senhor que sempre ilumine o caminho de vocês.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Uma pessoa comum.

Para escrever essas poucas palavras movimentamos uma comunidade, entramos em contato com amigos do passado e do presente, recolhemos fotos e buscamos fatos de sua infância e juventude. Fizemos tudo isso apenas para buscar inspiração para homenageá-lo.
Por diversas vezes palavras foram unidas, transformando-se em frases que foram apagadas, apenas por acreditarmos não estar à altura de demonstrar o carinho que temos por você. E de tanto fazer e desfazer percebemos o que estava diante de nossos olhos.
Enquanto bebê você chorou quando estava com fome, na infância, dançou nas festas juninas da escola, representou nos teatros infantis, fez a primeira comunhão, riu, brincou, tocou, cantou e viajou com os amigos na adolescência. Temos certeza que guarda com muito carinho quando você e mais 3 amigos, sentados em um barzinho, dividiram a mesma sobremesa. Quantas piadas não devem ter contado. Quantas boas lembranças devem estar guardadas com carinho. Temos ciência que a vida não é um mar de rosas, por isso sabemos que algumas lembranças amargas também devem existir, mas mesmo elas o ajudaram a atingir os objetivos.
Pe. Isac, ficamos felizes ao descobrir que você é uma pessoa comum. Sim, uma pessoa comum como tantas outras. Uma pessoa que nasceu, cresceu, brincou, estudou, viajou, fez amigos, assim como todo jovem faz, que os não tão jovens já fizeram e que as crianças um dia farão.
Ficamos felizes por você que, vivendo tudo isso, fazendo tudo que atrai a um jovem, não teve dúvidas ao atender o chamado de Deus.
Nós por vezes acreditamos na crença que os padres nascem nas sacristias, apenas brincam entre os bancos da igreja e que a maior traquinagem é puxar a batina do padre, mas olhando suas fotos, analisando os fatos de sua vida percebemos o quanto estamos errados. Você cresceu como um jovem comum, aceitou o chamado vocacional, assumiu a responsabilidade e a missão de ser o nosso porta-voz perante Deus e não perdeu a sua alegria e nem seu carisma, que tanto nos contagia.
E baseados em sua história pedimos a Deus que continue a iluminar os jovens e estes, espelhados em você, não tenham medo ou receio de dizer sim ao chamado para serem trabalhadores da messe.
E para finalizar faço um agradecimento a Deus.

Obrigado Senhor, por fazer do Pe. Isac uma pessoa comum.

quarta-feira, 19 de março de 2008

A vida através de uma janela.

Final de dia. Parado na porta do shopping aguardo o ônibus que me levará para casa. Compenso essa espera observando o movimento que me cerca.
Pessoas apressadas trombam umas com as outras, sem ao mesmos se desculparem com um olhar, outras são abordadas por entregadores de panfletos, algumas desafiam os carros ao atravessarem com o semáforo verde para os veículos, sem se preocuparem se vale a pena o risco.
Finalmente o ônibus chega. Abre a porta e pacientemente aguardo a minha vez de subir os poucos degraus que me separam de minha confortável poltrona.
Continuo a observar o cotidiano das pessoas, agora confortavelmente e através da janela do ônibus, onde o transito intenso obriga o ônibus a permanecer alguns minutos parado na Praça da Sé, o que me faz ver o sofrimento do povo brasileiro. Algumas pessoas, sentadas ao chão, pedem esmolas. Um grande número está sendo nas escadarias da igreja, como que a espera de um milagre que os tire dessa situação. Alguns improvisam uma barraquinha para vender produtos de procedência duvidosa.
Sem nada poder fazer, observo uma senhora que acaba de ter a bolsa roubada, mas sabendo da impunidade que nos cerca, o assaltante fingiu correr 2 ou 3 metros e passou a caminhar enquanto vasculhava a bolsa.
O trânsito volta a fluir e volto minhas atenções para o filme que se inicia, deixando para outro momento a visão do cotidiano dos paulistanos.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O guardador de carro

Mauro era uma agradável e simpática pessoa que, sempre muito educado, fizesse sol ou chuva, tomava conta dos carros das pessoas que participavam da missa.

E por falar em chuva, quando esta dava seu ar da graça, lá vinha ele com um enorme guarda-sol a nos proteger.

Sabíamos que fazia por dinheiro, afinal esta era a maneira que possuía para arrumar algum dinheiro para manter a família, mas independente de sua situação social e financeira, sempre nos recebia bem, o que nos deixava a vontade de tratá-lo da mesma maneira. Diferentemente dos demais que nos recebiam pronunciando gírias, nem sempre de fácil compreensão, ou de maneira grosseira.

Era tão competente em sua atividade que alguns casos são pitorescos. Entre eles a vez que abordou uma senhora que entrava em um carro, perguntando se o carro era dela. Ele distraidamente havia confundido meu carro com o dela, levando-o a imaginar que a senhora estaria roubando o meu. Ou ainda quando ao oferecer seus serviços a uma distinta senhora, proprietária de um belo carro importado, obteve como resposta que não seria necessário, pois o veículo era segurado. Ele, dentro de sua simplicidade calou-se, mas ficou pelos arredores do veículo. Mais tarde, quando a dona do veículo retornou foi logo dizendo: Senhora, sei que seu carro tem seguro, mas deixar os vidros abertos é facilitar demais para os ladrões. E a senhora, perplexa com o que fizera acabou por dar-lhe alguns trocados.

E assim vive Mauro distribuindo sorrisos e gentilezas por uns trocados.